Ednardo Sousa Bezerra Jr
O caminho maçônico se inicia no Grau de
Aprendiz, quando o homem adentra o Templo trazendo consigo as marcas do mundo
profano e uma pedra ainda bruta. Nesse primeiro passo, aprende que o silêncio,
a humildade e a escuta são instrumentos indispensáveis. É ali que compreende
que os vícios, especialmente a vaidade, precisam ser contidos, pois endurecem a pedra
e impedem o trabalho. O Aprendiz é chamado a vigiar a si mesmo, a respeitar
seus irmãos e a entender que o verdadeiro labor começa no interior.
No Grau de Companheiro, o obreiro já conhece
melhor seus instrumentos e passa a compreender o valor do trabalho coletivo.
Aprende que o crescimento individual só faz sentido quando contribui para a
harmonia da Obra comum. Nesse estágio, a vaidade se manifesta de forma ainda mais
sutil, pois o conhecimento adquirido pode iludir o espírito. Cabe ao
Companheiro lembrar que saber não é dominar, mas servir; que caminhar mais
adiante não significa caminhar acima. O cuidado e o companheirismo entre irmãos
tornam-se sinais visíveis do progresso moral.
Ao alcançar o Grau de Mestre, o maçom é
confrontado com a responsabilidade do exemplo. Já não basta aprender ou
executar; é preciso sustentar a Obra com equilíbrio, justiça e fraternidade. O
Mestre compreende que a vaidade, quando não vencida, pode comprometer toda a
edificação. Por isso, seu maior ensinamento não está na palavra, mas na atitude
serena, no acolhimento fraterno e na capacidade de unir, mesmo em meio às
diferenças.
Em todos os graus, uma verdade permanece
imutável: as dificuldades do mundo profano, por mais duras que sejam, não
diminuem nem suspendem as obrigações maçônicas. Pelo contrário, é fora do
Templo que os ensinamentos recebidos devem se manifestar com maior clareza. O
compromisso assumido diante do Altar não se encerra com o fechar das Colunas;
ele acompanha o maçom em sua família, em seu trabalho e em sua relação com a
sociedade.
Ser maçom apenas em Loja é incompleto. Ser
maçom na vida cotidiana é a prova real da iniciação. É no agir discreto, na
ética diária, na mão estendida ao irmão e na postura justa diante do mundo que
se confirma a autenticidade do caminho percorrido.
Que Aprendizes, Companheiros e Mestres jamais
se esqueçam de que todos trabalham na mesma construção, cada qual em seu tempo
e em sua função. Que a VAIDADE seja contida, que a fraternidade seja
fortalecida e que a Luz recebida no Templo ilumine, sobretudo, os caminhos do
mundo profano.