quarta-feira, 11 de março de 2026

Quando deixamos de “achar” para começar a “acreditar


Ednardo Sousa Bezerra Júnior



Em uma recente apresentação de trabalho da treceira instrução do Irmão Halvaro da Loja Maçonica Obreidos da Paz, ouvi uma frase simples, mas profundamente provocadora: “Quando eu aprendo a dizer eu acredito em vez de eu acho.”

A frase, aparentemente sutil, carrega uma diferença significativa na maneira como nos posicionamos diante do conhecimento, da verdade e das nossas próprias convicções.

No cotidiano, usamos a expressão “eu acho com enorme frequência. Achamos que algo é certo, achamos que determinada opinião faz sentido, achamos que determinada atitude é a melhor. O “achar” muitas vezes nasce de uma impressão momentânea, de uma suposição ou de uma ideia que ainda não foi suficientemente refletida.

O problema não está em achar. Afinal, todo processo de reflexão começa com uma hipótese. O risco está em permanecer apenas no “achar”.

Quando alguém diz “eu acho”, muitas vezes está também se protegendo da responsabilidade que acompanha uma afirmação mais profunda. É uma forma de falar sem assumir plenamente o peso daquilo que está sendo dito.

Já a expressão “eu acredito” tem outra densidade.

Acreditar pressupõe um caminho percorrido. Pressupõe reflexão, estudo, experiência e, muitas vezes, transformação interior. Quando dizemos “eu acredito”, estamos assumindo uma posição construída ao longo do tempo. Estamos dizendo ao mundo que aquela ideia passou por nós, foi examinada e encontrou espaço dentro da nossa consciência.

Nesse sentido, a passagem do “achar” para o “acreditar” representa também um processo de amadurecimento intelectual e moral.

No campo da educação, por exemplo, vemos com frequência estudantes que começam dizendo “eu acho que é assim”. Com o tempo, com o estudo e com o exercício da reflexão crítica, eles passam a dizer “eu acredito nisso porque compreendi, estudei e analisei”.

O mesmo acontece na vida. Nossas opiniões iniciais são, muitas vezes, apenas impressões superficiais. Elas mudam conforme aprendemos, convivemos com outras ideias e ampliamos nossa visão de mundo.

A filosofia, desde a Antiguidade, já nos ensinava que o conhecimento humano nasce da dúvida. Mas a dúvida não pode ser um ponto de chegada. Ela precisa ser um ponto de partida para a construção da convicção.

Nesse caminho, aprendemos algo fundamental: acreditar não significa fechar-se ao diálogo ou à mudança. Pelo contrário. Significa sustentar uma convicção com consciência, sabendo que toda crença madura continua aberta à luz do conhecimento e da razão.

Talvez por isso a frase que ouvi naquela noite tenha me provocado tanto. Ela não fala apenas sobre linguagem. Ela fala sobre responsabilidade intelectual.

Dizer “eu acho” é fácil. Dizer “eu acredito” exige mais, exige estudo, exige reflexão, exige coerência entre pensamento e atitude.

Talvez o verdadeiro crescimento pessoal e espiritual esteja exatamente nesse percurso: sair da superfície das opiniões rápidas e caminhar em direção às convicções que construímos com consciência.

Porque, no fundo, aquilo que acreditamos acaba revelando quem realmente somos.


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