sábado, 25 de fevereiro de 2017

HISTÓRIAS DE TRANCOSO.




Tudo começou com o escritor português de nome Gonçalo Fernandes Trancoso, publicar o livro "Contos e Histórias de Exemplo", em Portugal no século XVI. Este livro foi editado pela primeira vez no ano de 1575, passou a ser uma referência nos contos populares. A expressão "histórias de Trancoso" é muito comum em Portugal e no Brasil, passando a denominar todo conjunto de histórias populares transmitidas pela tradição oral.

QUEM TE MATOU ?

Um homem, certo dia, saiu da cidade andando a pé, e junto a uma porteira, longe de habitações, deu com uma caveira feia como só podem ser a morte e o pecado.
Levianamente, deu-lhe um pontapé e caçoou:

- Quem te matou, caveira?

Mas qual não foi o seu espanto, quando, com um estalar dos ossos muito brancos, lavados de chuva e estorricados ao sol, a caveira respondeu:

- Foi a língua.

O pavor o sacudiu com ímpeto. Saiu por ali afora numa doida carreira, e dentro de pouco tempo estava novamente na cidade. Na sua excitação, contou a toda gente o que lhe acontecera.

- Não pode ser - diziam.
- Foi. Juro. Eu vi. Eu ouvi. Junto a uma porteira.
- Uma caveira falando? Alucinação, meu amigo.
- Verdade.

Alguns acreditavam, outros não. A maioria, não. Mas a notícia correu a cidade, cercou-a, voou até o palácio do rei.
O rei mandou chamar o moço.

- Que história é essa?

O moço contou tudo, ainda se arrepiando de se lembrar do susto.

- Ela respondeu, juro, majestade.

O rei se desencostou do trono e, com um dedo em riste, sacudindo-o diante do nariz do moço, falou:

- Vou lá ver isso. Sou curioso. Mas veja lá, se for mentira sua, e você me fizer bancar o bobo, eu te mando pendurar na primeira árvore que encontrarmos.

- Foi verdade, majestade - murmurou o moço.
Aprestara, então, um grande cortejo. Ia adiante o rei no seu cavalo branco, ricamente ajaezado, com aperos de ouro e prata. E depois, os nobres, suntuosamente vestidos. E os soldados. Tudo aquilo fulgia ao sol. Bem adiante, caminhava o moço a pé, com as mãos amarradas. Tudo estacou junto à porteira. Parecia uma festa. Os que riam e caçoavam calaram-se ao ver a caveira, tão maligna parecia. Trêmulo, o moço perguntou:

- Quem te matou, caveira?

A caveira quieta estava e quieta ficou.
O moço pensou que talvez tivesse falado muito baixo. Em voz mais alta, mas insegura, interpelou novamente:

- Quem te matou, caveira?

E a caveira, quieta.

- Quem te matou, caveira? - gritava agora, com os olhos esbugalhados, saltadas as veias do pescoço, e um pavor infinito apertando-lhe o coração.

- Quem te matou, caveira? Quem te matou, caveira?

E a caveira muito branca, luzindo ao sol, em silêncio. O moço perdeu a cabeça, começou a dar-lhe pontapés, o golpe soava cavo, e ele ia atrás dela novamente, de um para outro lado, suando, rugindo.

- Quem te matou, caveira?

Apanharam-no, veio o carrasco no seu camisolão vermelho, fez o nó corrediço com dedos ágeis, e o moço ficou enforcado numa árvore à beira do caminho, enquanto a comitiva voltava, aparatosa mas sem animação, para a cidade.

Ficou tudo em silêncio, no campo. Não passava viva alma. Decorreram as horas quentes do dia, anoiteceu. Quando se adensaram as primeiras sombras, aconteceu uma coisa extraordinária. A caveira, que não parecia dotada de movimento, rolou um pouco sobre si mesma e veio, aos pulos. Pulou até chegar sob a árvore onde estava o enforcado. E ali, com o feio buraco das órbitas vazias virado para cima, perguntou:

- Eu não te falei que quem te matou foi a língua?
 


 Fonte: http://silnunesprof.blogspot.com.br/2009/10/historias-de-trancoso.html

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2017

REBANHOS HUMANOS

                                                                         




Nos primórdios da humanidade, o homem, assim como os demais animais vivia em bandos. Desta forma, os rebanhos e seres humanos deslocavam-se na busca de pastagens e clima mais propícios conforme as estações do ano e de suas necessidades de sobrevivência, este movimento migratório era a relação entre a vida e a morte.
Segundo Hamilton Werneck (2008, p.15), “estávamos diante de uma estrutura social em que homens e mulheres conviviam sem a perspectiva da hierarquia entre eles. O controle e a autonomia dão lugar à confiança”. Portanto uma sociedade igualitária onde o bem comum era regra e não exceção. 
Com a evolução dos hominídeos, surgiu a agricultura, a escrita e tantos outros confortos, de modo que o homem deixou a sua condição de nômades e passar a vida sedentária, e mais tranquila. 
Chega o momento em que humanos constrói as primeiras civilizações, surgindo os clãs e tribos tipicamente patriarcais. Agora os rebanhos tinham dono, estavam cercados ou eram vigiados.
O bicho homem passa a ter agora a preocupação de ser dono, de mandar e esta no nível mais alto da estrutura hierárquica de sua comunidade. O poder de controlar os seus iguais passar a ser uma constante entre os rebanhos de homem que na pré-história viviam em uma sociedade primitiva e socialista.
Na nossa atualidade estamos cercados e vigiados por devoradores de homens, que vivem do suor das classes dominadas. Estes dominadores que jogam migalhas ao povo, que na maioria das vezes são analfabetos políticos, integrantes de uma sociedade que priva o cidadão de uma educação libertadora e crítica, a fim de produzir cópias humanas como em modo de produção fordista, que refere-se aos sistemas de produção em massa ou também chamado de linha de produção.
Até mesmo as ideologias teológicas foram distorcidas em prol do controle da massa, “a religião, antes uma evocação mística de deuses e deusas que refletiam o equilíbrio do universo, dá lugar a deuses que surgem como autoridades normativas, arbitrárias e que exigem total submissão e obediência”. (MATURANA, 1993)
Destarte, quando Zé Ramalho canta Admirável Gado Novo, gravado pela primeira vez em 1979, percebemos que fazemos parte de uma massa popular  que trabalha duro em nossa  caminhada, e damos muito mais do que recebemos.

Podemos concluir que vivemos em uma política arcaica e somos vigiados feitos gado constantemente a fim de não atrapalhar as metas traçada para o povo pela elite dominante que além de ser detentora da maior parte das riquezas materiais, também é proprietária do voto do povo, afinal, é esta mesma elite que decide quem deve ou não pastorear o rebanho.  

                                         Prof. Ednardo Sousa Bezerra Jr.
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quinta-feira, 16 de fevereiro de 2017

A cultura local

Prof. Ednardo Júnior

A construção de identidades pessoais e sociais está relacionada à memória, já que tanto no plano individual quanto no coletivo ela permite que cada geração estabeleça vínculos com as gerações anteriores. Os indivíduos, assim como as sociedades, procuram preservar o passado como um guia que serve de orientação para enfrentar as incertezas do presente e do futuro.
O encino de história local apresenta-se como um ponto de partida para a aprendizagem histórica, pela possibilidade de trabalhar com a realidade mais próxima das relações sociais que se estabelecem entre educador / educando / sociedade e o meio em que vivem e atuam.
Ao priorizar o meio cultural e suas manifestações como forma de conhecimento de uma cultura de grupo familiar e comunitário, o estudo da cultura local visa a compreensão, o significado e a importância das ações humanas, que são consideradas também culturais. Ao inserir no estudo as práticas culturais dos grupos familiar e comunitário, objetiva-se, provocar no estudante universitário, um “abrir-se a alma” da cultura de um grupo, como cita Freire (1995, p.110). Portanto, envolver-se no cotidiano nas mais diferentes formas, constitui uma forma de compreender a História e a trajetória de vida de seu povo. Para Bittencourt (2004, p. 172)

A história do “lugar” como objeto de estudo ganha necessariamente, contornos temporais e espaciais. Não se trata, portanto, ao de proporem conteúdos escolares da história local, de entendê-los apenas na história do presente ou de determinado passado, mas de procurar identificar a dinâmica do lugar, as transformações do espaço, e articular esse processo às relações externas, a outros “lugares”.





Melhor evolução e educaional no Brasil é do Ceará

Ceará tem as maiores evoluções nos índices do 5º ano para Matemática e Português. Especialista aponta continuidade de políticas públicas na área


O Ceará apresenta as maiores evoluções entre os números de 2013 e 2015 de alunos do 5º ano do ensino fundamental que têm conhecimento adequado à idade. Com aumento de 15,6 e 8,5 pontos percentuais em Português e Matemática, respectivamente, o Estado passou de 45,4% para 61% em Português — o 6º melhor percentual do Brasil e o melhor do Norte e Nordeste; e de 35,4% para 44% em Matemática — o 11º melhor percentual do País, também no topo regional.
Os dados fazem parte de relatório da Meta 3 do Todos Pela Educação (TPE) — Todo aluno com aprendizado adequado ao seu ano —, realizado com base na proficiência dos alunos nas avaliações da Prova Brasil e do Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb) 2015. O movimento considera que tem aprendizado adequado o aluno que atinge ou supera as seguintes pontuações em Português e Matemática: 200 e 255 no 5º ano do Ensino Fundamental; 275 e 300 no 9º ano do Ensino Fundamental; e 300 e 350 no 3º ano do Ensino Médio.
Analisados os percentuais de cidades onde os alunos atingiram o nível satisfatório de aprendizagem, o Estado tem 94,9% de municípios que alcançaram a meta no 5º ano em Português — o índice mais alto entre os estados da federação. O feito se repete na mesma disciplina no 9º ano, com 73% dos municípios com a meta batida. Na avaliação de Matemática, com índice de abrangência dos municípios de 89,2%, o Ceará é o segundo colocado, atrás apenas do Acre. No 9º ano, apesar do índice baixo de 22,6% dos municípios no patamar desejado, o Estado é o que apresenta a melhor taxa no País.
Para o gerente de Conteúdo do TPE Ricardo Falzetta, “o desempenho do ensino fundamental I mostra que algumas políticas públicas, como o Programa de Aprendizagem na Idade Certa (Paic), deram resultado”. “Existem críticas que se pode fazer, mas tem uma continuidade e ele foi aperfeiçoado ao longo dos anos”, aponta.
Rogers Mendes, coordenador de Gestão Pedagógica da Secretaria da Educação do Estado (Seduc), afirma que o Mais Paic deverá, nos próximos anos, ampliar os bons resultados para os anos finais do ensino fundamental e também para o ensino médio.
O Estado tem nove cidades entre as 100 melhores em Português e 14 entre as com maiores índices em Matemática no 5º ano, em um universo dominado por municípios do Sudeste e do Sul.
No 9º ano, são duas e quatro as cidades entre as 100 com mais altos índices do País. “O Ceará é talvez o único Estado que tem um nível sócio-econômico abaixo da média brasileira e que está conseguindo resultados na educação acima da média”, destaca Falzetta.
Domitila Andrade

domitilaandrade@opovo.com.br


FONTE:http://www.opovo.com.br/jornal/cotidiano/2017/01/melhor-evolucao-no-pais-e-do-ceara.html

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2017

A história do lápis por Paulo Coelho

 O menino olhava a avó escrevendo uma carta. A certa altura, perguntou:
- Você está escrevendo uma história que aconteceu conosco? E por acaso, é uma história sobre mim?
A avó parou a carta, sorriu, e comentou com o neto:
- Estou escrevendo sobre você, é verdade. Entretanto, mais importante do que as palavras é o lápis que estou usando. Gostaria que você fosse como ele, quando crescesse.

O menino olhou para o lápis, intrigado, e não viu nada de especial.
- Mas ele é igual a todos os lápis que vi em minha vida!
- Tudo depende do modo como você olha as coisas. Há cinco qualidades nele que, se você conseguir mantê-las, será sempre uma pessoa em paz com o mundo.

“Primeira qualidade: você pode fazer grandes coisas, mas não deve esquecer nunca que existe uma Mão que guia seus passos. Esta mão nós chamamos de Deus, e Ele deve sempre conduzi-lo em direção à Sua vontade”.
“Segunda qualidade: de vez em quando eu preciso parar o que estou escrevendo, e usar o apontador. Isso faz com que o lápis sofra um pouco, mas no final, ele está mais afiado. Portanto, saiba suportar algumas dores, porque elas lhe farão ser uma pessoa melhor”.
“Terceira qualidade: o lápis sempre permite que usemos uma borracha para apagar aquilo que estava errado. Entenda que corrigir uma coisa que fizemos não é necessariamente algo mau, mas algo importante para nos manter no caminho da justiça”.
“Quarta qualidade: o que realmente importa no lápis não é a madeira ou sua forma exterior, mas o grafite que está dentro. Portanto, sempre cuide daquilo que acontece dentro de você”.
“Finalmente, a quinta qualidade do lápis: ele sempre deixa uma marca. Da mesma maneira, saiba que tudo que você fizer na vida irá deixar traços, e procure ser consciente de cada ação”.

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2017

Temas Transversais




Ensino Fundamental de 1ª a 4ª Série 

O trabalho em sala de aula não se restringe ao momento da aula, ao trabalho com o conteúdo. O professor, como mediador entre o aluno e o conhecimento formal, e entre o aluno e a sociedade, tem um papel mais abrangente. A sua mediação pressupõe não só o trabalho com o conteúdo explícito, mas também a criação de um espaço para que o aluno reflita sobre os valores e atitudes que devem permear seu comportamento, como aluno e cidadão, e sobre os valores e atitudes que deverão permear sua vida quando for adulto e tiver que desempenhar outros papéis.
Para que isso ocorra, é preciso que o repertório do aluno, seu currículo oculto, possa se manifestar em sala de aula por meio de discussões, leituras, pesquisas, atividades variadas. Essas diferentes formas de expressão podem ocorrer tanto nas aulas de biologia quanto nas de matemática, geografia ou educação física. Todos os envolvidos no processo educacional são responsáveis pela formação de cidadãos éticos e conscientes de sua cidadania, o que pressupõe o conhecimento dos direitos e deveres de todos.
O conceito de transversalidade adquire o verdadeiro sentido no projeto curricular da escola, na medida em que se cruzam e se encadeiam disciplinas. Isso diz respeito não só a atitudes, mas também a procedimentos e conceitos.
Transversalidade e interdisciplinaridade alimentam-se mutuamente, uma vez que o tratamento das questões trazidas pela temática transversal expõe as inter-relações entre os objetos do conhecimento. Não é possível trabalhar temas transversais sem uma visão interdisciplinar.
Embora o conteúdo dos temas transversais seja contemplado pelas áreas e não represente um aprendizado à parte, nos PCNs todos os temas têm explicitados os conceitos, procedimentos, atitudes e valores a serem ensinados e aprendidos.
Nos PCNs estão propostos os seguintes temas transversais:
Meio ambiente: cujo objetivo é fazer com que o aluno adquira noções sobre o meio ambiente, que perceba as relações que condicionam a vida, para poder se posicionar de forma crítica diante do mundo e para que domine métodos de manejo e conservação ambientais.
Pluralidade cultural: cujo objetivo é permitir que o aluno conheça o patrimônio cultural brasileiro, que reconheça a diversidade como um direito dos indivíduos, que repudie toda e qualquer forma de discriminação e preconceito por raça, classe social, crença religiosa ou sexo.
Ética: cujos objetivos são aprofundar o entendimento do conceito de justiça baseado na eqüidade, sensibilizar o aluno para a necessidade da construção de uma sociedade justa, estimulá-lo a adotar atitudes solidárias, de cooperação e de repúdio às injustiças sociais.
Saúde: cujo objetivo principal é fazer com que o aluno perceba que saúde é direito de todos. Para isso, terá de compreender que a saúde é produzida nas relações com o meio físico e social, e terá de adquirir hábitos de higiene e cuidados consigo próprio.
Orientação sexual: cujos objetivos principais são fazer com que o aluno aprenda a respeitar a diversidade de comportamentos relativos à sexualidade - desde que esteja garantida a dignidade do ser humano , conheça o próprio corpo, expresse seus sentimentos, respeite os afetos dos outros.
Trabalho e consumo: cujo objetivo é indicar como a educação escolar poderá contribuir para que os alunos aprendam conteúdos significativos e desenvolvam as capacidades necessárias para atuar como cidadãos, nas relações de trabalho e consumo.

Hamilton Werneck fala sobre a importância da Ecopedagogia


Ecopedagogia é um conceito ainda em construção. É  defendido mais como um movimento, do que como uma nova teoria de educação. 

Não é mais uma forma de pedagogia, ao lado de outras pedagogias. A ecopedagogia  só  tem  sentido como projeto alternativo global onde a preocupação não está apenas na preservação da natureza (Ecologia Natural) ou no impacto das sociedades humanas sobre os ambientes naturais (Ecologia Social), mas num novo modelo de civilização sustentável do ponto de vista ecológico (Ecologia Integral) que implica uma mudança nas estruturas econômicas, sociais e culturais. 
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As paredes são só um detalhe: o verdadeiro investimento está nas pessoas

Profesoor Ednardo Sousa Bezerra Júnior Vivemos um tempo em que muito se fala sobre inovação, tecnologia, inteligência artificial, estrutur...