domingo, 7 de janeiro de 2018

A influência musical na atual sociedade.



Prof: Ednardo Junior




Pertenço a uma geração que escutava tocar nas rádios Legião Urbana, Ultraje a Rigor, Engenheiros do Havaí, Cássia Elen, Cazuza dentre outros grandes nomes da música popular brasileira. As letras produzidas para dar conteúdo às músicas brotadas entre as décadas de 1980 e 1990 traziam mensagens de cunho político, social e econômico. A situação da política nacional era o principal tema abordado. Sem dúvida a música popular brasileira, neste período, foi uma forma de expressão forte do sentimento de insatisfação da população que trabalhava duro pra sobreviver, pagava impostos e sonhava em ter o mínimo de conforto no dia a dia.
Do outro lado desta mesma sociedade, ficava a elite inalcançável, a classe política, um grupo que tem o poder de mudar as leis, pois é bem mais fácil adaptar a classe dominada as novas regras que mudar as regalias e benefícios geridos apenas para a classe dominante;

Nas favelas, no Senado

Sujeira pra todo lado

Ninguém respeita a Constituição

Mas todos acreditam no futuro da nação (Legião Urbana,1987)

 

Iniciamos agora mais um ano, e o que esperar para 2018? Se outrora a nossa MPB fazia a mente do jovem pensar em tempos melhores, como dizia Renato Russo, “Somos tão jovens” e “Não temos tempo a perder” portanto devemos seguir  “Sempre em frente” (1986). Hoje, nos deparamos com uma diversidade de letras de cunho imoral incentivando a desonra, a traição, a embriaguez tirando a inocência das nossas crianças com músicas e letras que não trazem nenhuma mensagem relevante a nossa construção cultural.

Não precisamos muito tempo pesquisando para encontrar pérolas da música brasileira extremamente popular entre a atual juventude. Na primeira pesquisa encontrei uma desta celebridade,  MC Pikachu, ingressou na carreira do funk ousadia no ano de 2014, aos 15 anos causou polêmica devido às letras de conteúdo explicitamente pornográfico em algumas músicas, mais notável na canção "Tava na Rua", onde também fez referências à drogas ilícitas. Vamos ver um trecho:

 

Tava na rua fumando um baseado

Chegou a novinha me pediu pra dá uns trago

Eu falei assim: Vamos faze um acordo

Dá a buceta pra mim e o cú e fuma o beck todo(MC Pikachu, 2015)

 

Ainda nos festejos de ano novo tive o desprazer de sentar em uma barraca de praia e deparei-me com uma família em seu momento de lazer onde os pais estavam em total descontração com seus filhos. Os homens adultos sentados ao redor de uma mesa degustando uma cerveja gelada em companhia de suas esposas enquanto as crianças brincavam na areia. Até ai tudo bem, acredito ser bastante saudável esta reunião familiar, o problema “a meu ver” era a música que embalava este momento de ternura familiar, letra e música era de autorias de um cidadão chamado Phabullo Rodrigues da Silva, conhecido por seu nome artístico Pabllo Vittar, no qual o refrão diz assim; “Tô preparada pra atacar, quando o grave bater, eu vou quicar, na sua cara vou jogar e rebolar”(2017).

Fico na minha ignorância tentando imaginar qual será o futuro de uma sociedade com práticas culturais tão pobres a ponto de eleger a cantora Anitta,   mulher do ano de 2017, em um mesmo ano que a professora a Heley de Abreu Silva Batista, de 43 anos, morre tentando salvar crianças em uma creche de Mato Grosso, esta heroína, enfrentou um indivíduo insano, na esperança de   impedir que ele  jogasse álcool e, depois, fogo em seus alunos. Por este ato heroico em defesa de várias crianças, ganhou seus 15 minutos de fama e depois caiu no esquecimento da opinião pública.

Pra não dizer que estou sendo injusto dei uma olhadinha na letra de algumas músicas da cantora Anitta, afinal a mesma merecedora de tamanha honraria, nada mais justo apreciar a obra cultural produzida por esta artista;

 

Vai, malandra, an na

Ê, tá louca, tu brincando com o bumbum

An an, tutudum, an na

Vai, malandra, an na

Ê, tá louca, tu brincando com o bumbum

An an, tutudum, an na(2017)

 

Juro que tentei ler um pouco mais, até procurei outras mísicas de autoria desta ilustre representante da atual música popular brasileira, mas acredito que minha inteligência não acompanha esta modernidade, pois na real, não entendi nada.

Para concluir, acredito que devemos celebrar, afinal é o inicio de um novo ano, um novo sol, uma nova era, quem sabe até um recomeço. Foi ai que lembrei de uma outra música que ouvia na minha adolescência, “Perfeição” (Renato Russo,1993):

 


Vamos celebrar a estupidez humana. A estupidez de todas as nações.

O meu país e sua corja de assassinos covardes. Estupradores e ladrões. Vamos celebrar a estupidez

do povo. Nossa polícia e televisão.

Vamos celebrar nosso governo. E nosso estado que não é nação. Celebrar a juventude sem escola,

as crianças mortas.

Celebrar nossa desunião. Vamos celebrar nossa tristeza. Vamos celebrar nossa vaidade Vamos

comemorar como idiotas, a cada fevereiro é feriado.

Todos os mortos nas estradas. Os mortos por falta de hospitais. Vamos celebrar os preconceitos.  O

voto dos analfabetos.

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